sábado, 7 de fevereiro de 2009

infinitamente - beija, flor.

Desci pelas escadas correndo, sem querer perder de vista pela janela lateral os seus cabelos voando a favor do vento. Sem querer perder de vista o brilho que havia no meu sorriso. Segurei-me na fresta da porta, ainda ofegante, e como se faltasse segundos de ar, me lancei em seus braços;Nunca gostei muito de despedidas, confesso. São sempre muito duras e tristes, deixam com os olhos inchados, e com uma dor fina no peito, realmente muito relutante. Mas enfim, aquilo foi uma coisa que eu realmente teria que passar, de experimentar esse sentindo. Digo isso hoje, mas na hora não pensei muito em conseqüência alguma – eu sabia que seriam muitas. E o abracei, não pensando que poderia ser a última vez, mas tendo a certeza que seria a mesma. Chocante saber quando realmente vai ser a última vez. É como acreditar num médico que lhe dá duas semanas de vida, ou olhar pra uma criança, e crer que ela se tornará a pessoa mais revolucionária do mundo sem perder as esperanças. Bom pra aqueles que sonham sempre com a mágica frase “para sempre”. Ela soa muito doce, isso é verdade. Mas me parei num segundo pra pensar quantos significados existem para o tal do sempre. Para certas borboletas, o seu sempre são 24 horas, por exemplo. Mas nessa última vez, eu senti uma coisa inexplicável. Talvez o meu superado medo e anseio às despedidas tivessem aumentado tudo que até agora eu não consegui compreender. Porque eu senti. Senti o seu coração bater tão rápido quanto o meu, e juntinho. Ficamos quase que intocáveis nessa batida acelerada, que me fez lembrar uma história que ouvi. Um homem num bar, em um de seus corriqueiros porres, relatou sobre a inconfundível habilidade de um beija-flor. Este pássaro conseguiria voar com a incrível velocidade de 80 batidas de asas por segundo, conseguindo ficar imóveis no ar, apesar de ter um batimento cardíaco compatível aos das suas belas asas coloridas, que vistas em câmera lenta, formam um oito invertido. O homem, depois do exposto perguntou aos seus amigos que o olhavam atento, o que o oito invertido representava na matemática. O infinito. Foi aí que eu percebi que toda aquela sensação de corações desesperados em seus batimentos por alguma razão de vida - ou por aquela razão de vida – foi tão única. Porque, como diria o homem no bar “tudo sempre acaba no infinito”. E aquele fim terminou nisso. Ou fez apenas, começar;


beatriz marques