sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Feliz ano novo


Era tudo tão óbvio e claro agora. E como não pudera perceber tal “letreiro em neon” antes? Preferiu engolir seco, seu vinho branco suave, não queria mais ficar pensando nessas bobagens da vida de “porque não fiz isso?” ou “porque fiz aquilo”... Fazer-não fazer, não importa mais – já faz tempo. E o tempo apagou, dilacerou, fez gato e sapato com a sua vida que andava a mil maravilhas. Mais um dia daqueles, que tinha uma rotina bem peculiar de acordar bem-humorada, ir comprar o pão na padaria ao lado, ir ao salão, colocar seu perfume francês, olhar para o presente que houvera adquirido para o seu querido e dizer: hoje será um bom dia! Interessante como os conceitos sobre o que é bom ou não mudam com o velho e desgraçado tempo. Que hoje em dia, eu particularmente devo tanto. Continuadamente, os dias passaram, e passam, fazendo com que essa rotina se repita, essa coisa de “precisar urgentemente de amor” insista, de “Me ame” no anúncio de jornal, aconteça todos os dias - isso tudo é idéia furada. Mas como vinha dizer, seu conceito de bom era puro e simples, era esse, amar e ser bem amada, com o seu perfume francês, à beira-mar vendo os fogos de artifício bem acompanhada, e desejando que nada daquilo tudo mudasse. Quis que o tempo parasse. Venhamos e convenhamos, precisamos hoje dia em dia, como uma alma faminta tem sede de paixão, ou como um desolado precisa de amor, perceber que o que mais queremos, talvez seja o que mais nos afeta. Tranquilidade na rotina não deveria existir. Tranquilidade sim, mas rotina definitivamente não. Ela que achava ser feliz com o cara charmoso que tocava no barzinho badalado da vila São Paulo, que tinha um ar de Gael Garcia Bernal e a fazia sentir a própria Penélope Cruz, se tornou esse o maior tormento da sua vida. A rotina do dilema de continuar sendo amada ou não, de ser completa, sendo partida ao meio, sendo “dele”, como costumava repetir na noites em que passavam juntos. Estava ela lá, intocável em sua plenitude de felicidade, passando ano a ano, desejando que a velha e cômoda sorte, se reciclasse como seus artigos de auto-ajuda que lia semanalmente. Depois de ver o seu Gael numa posição – digamos exagerando já um eufemismo – bem agradável, com a vizinha, sua ex-melhor amiga, sua história de “ser completada por ele”, a levou à pensar num suicídio por gás de cozinha, talvez. Pra aqueles que querem parar o tempo, agora ela dá o belo conselho de acelerá-lo, vivendo-o. Nada de amores por quem se mata e morre. “Morra de amores por você mesmo”, ela diz enquanto desce no elevador, para ir comprar o pão na padaria ao lado. Dizem agora, por aí, em seu novo edifício, que depois do acontecido, o tal sósia do Gael lhe implorou para que voltasse - o que não aconteceu, de fato. Que ela andou fazendo mais compras do que o normal, já que seu emprego lhe garante um cartão platina, e um belo carro.E que, além disso, nesse ano novo, foi ao salão, como de costume, colocou seu perfume francês, e comprou um presente para si mesma junto com seu cliquot, para assistir, sozinha, ao show de fogos de artifício na praia da baixada. Passou a ouvir mais blues e MPB do que antes, e anda distribuindo sorrisos e olhares mais calorosos por onde passa. E ainda vem gente me dizer que “aquilo merecia ser parado no tempo”. Bobagem! Apesar de serem apenas rumores, acredito plenamente nessa nova atitude, nesse novo ser que nos agrega todos os – novos - dias, nessa vontade de fazer da vida, uma folha a limpo. Já fiz isso inclusive, no ano que se passou. Hoje desejo um ano novo, completamente novo, para todos que passam e riem de mim, por estar com meu chapangue debaixo do braço, os pés molhados da água do mar caminhando na areia da praia cantarolando uma música qualquer que diz “eu não sou nenhuma santa”.


Beatriz Marques

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Para amar alguém, suspiro.

É o jeito de apertar os olhos quando está cara a cara, ofegar a respiração devagar, e olhar de cima a baixo que me fazia alucinar. Não precisava de nenhum pré-requisito, só isso já era o bastante pra me deixava sem ar

Beatriz Marques

Histórias de des(amor)

E em pleno sábado de aleluia, ela só dizia que era pura monotonia que não fazia sentido algum naquilo tudo que não sentia Só precisava de café, literatura e poesia
Além do mais, eram tantos homens pra tão poucas atitudes de verdade que cansava sua beleza e a deixavam com falta de vontade.

Beatriz Marques

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Indiazinha


É indiazinha, eu te falei
leva o teu barco
rema pelo rio à esquerda da margem
e forte pra não se perder.

E disse ainda mais, indiazinha,
leva esse sol contigo,
para todo dia de chuva
você não esmorecer.

Se fizer muito vento indiazinha,
não esqueces que é só contra ele correr,
vai sentir teus cabelos lisos planarem, indiazinha,
e na tua pele morena meu beijo padecer.

Se faltar abrigo de palha, indiazinha,
não esquece que meu coração esquenta você.
Porque nosso amor é forte, indiazinha,
e o que é forte não costuma morrer.

Beatriz Marques
[momento nostalgico sobre a história da indiazinha que minha mãe contava pra eu ir dormir. Hoje ela diz que a indiazinha sempre fui eu]

domingo, 7 de dezembro de 2008

Trilhos d'um trem.

E ela desceu do trem tão lentamente, e o vento esvoaçava seus cabelos fazendo com que a cena fosse passada em câmera lenta. Um filme mudo, talvez, foi o que eu pensei no exato momento. Quase uma característica atriz famosa inglesa, parisiense ou algo assim, que eu não conseguia decifrar – que não se consegue de fato. Pousou seus olhos nos meus estabanados e sorriu. Eu lembrei como tinha sido diferentemente estranho a última vez naquela estação, numa tarde chuvosa de inverno, que meu deus, me dava calafrios. Não pela chuva, mas pelas lágrimas que desciam sem parar pelo seu rosto em plena despedida. Era muita dor em uma pessoa só, o que me levava a pensar o quanto uma emoção atinge a alma de uma pessoa. Bem, a resposta estava bem na minha frente. Estava ela lá, parada sorrindo para mim novamente, como da primeira vez que nos conhecemos. Minto. Não exatamente como da primeira vez. Dessa, ela tinha um turbilhão de primaveras que resplandeciam em seu rosto, seus gestos, cabelos e sorrisos. Chegava a ser extasiaste a forma como me encarou, porque passou a me olhar encarando. Eu passei a ser um passado bem próximo. Pôs as malas no chão, pegou em minhas mãos e disse que por mais lugares que fosse com tantas outras pessoas estivera e com tantos dias passados por tais trilhos, ela descobriu que não caberia tanta vida apenas nisso. Que procurou em tantos lugares o que lhe faltava. Mas, nada. O que lhe faltava estava dentro, em você. Agora senti, essas palavras doces que soaram nos meus ouvidos, quem me falava era uma verdadeira mulher, que tinha a vida amarga, aprisionada e descobriu que o doce era voar.


Beatriz Marques

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

dentro de mim

Fui me juntando, me recolhendo a mim mesma. Por um segundo, em toda minha vida comecei a pensar para dentro, e agir também. Comecei a querer fazer da minha vida como se engolisse um grande algodão branco, criando um vazio interno enorme. Era meus anti-decepções, anti-emoções, pois comecei a fugir de tudo que se relacionasse à minha ilusão de felicidade. Nem sei, mas fiquei na verdade insensível à tantas coisas, com receio de sorrir, de sentir, coisa que nunca me houvera ocorrido antes. E preferi assim, uma “prevenção irremediável”. Liguei a Tv e vi Jimi Hendrix falando: “Eu procurei um lugar no mundo, e encontrei dentro de mim mesmo”. Pra variar aquele homem tão revolucionário me fez pensar - não como a gente pensa todo dia, cálculos, ligações, compras, o dia está bonito, em pessoas e enfins – mas pensar numa coisa que vai bem mais do que nossa compreensão. O bom disso tudo, é que dentro de mim, não estou sozinha, eu, minh’alma. Cultivei com o tempo, coisas que são imensuráveis em sua existência. E que agradeço a Deus de ainda estarem por lá. Dentro de mim – onde eu preferi estar - além do meu eu interior, está meu amor por vocês. Por mais que hoje em dia, eu temo em demonstrar.

Beatriz Marques

domingo, 30 de novembro de 2008

Todo dia;

Acredite se quiser, mas mudamos sim. Mudamos e muito. Uma mudança incessadamente profunda. Mudamos os nossos hábitos, nossas conversas, nosso jeito de agir, e principalmente, nossa visão de mundo. Vimos e estabelecemos de uma vez que não existe nada melhor do que fazer mudanças positivas e somá-las a boas antigas. Pra começar, deixamos de ir a festinhas de 15 anos, ao shopping todo sábado, e a lugares pequenos... Não de espaço, pelo contrário, eram enormes, mas cheios de pessoas pequenas, medíocres, que não valiam à pena.
Depois, passamos a não nos preocupar com o que vestir - não pela roupa em si - mas deixamos de nos preocupar com que os outros iriam pensar. Pensávamos tantas coisas e nos imaginávamos daqui a alguns anos, mas nossa, que bobagem! Como se pudéssemos escrever cada linha da nossa vida, de maneira simples e prática.
Precisou de tempo, e muita coisa acontecer, pra irmos aos poucos, nos tornando pessoas melhores, maduras, e por incrível que pareça, bem menos complexas, mas fáceis de entender e compreender os outros. Não saímos de casa com a roupa da loja que mais faz sucesso, a bolsa da moda, todas emperiquitadas nessa nossa “pequena e pacata cidade de campina grande” para o point onde todos te lêem como se fosse a bíblia... Onde sabem - ou pretendem saber - mais de seus podres do que sua mãe. Hoje nós saímos de vestido folgado, sandália baixa, cabelos naturais para ver o pôr-do-sol. E não, não viramos Hippies, alternativas ou qualquer coisa assim.
Só estamos saturadas desses pensamentos alheios e mesquinhos. Rasgamos o verbo, aprendemos a viver!


Beatriz Marques

Ipê amarelo

Quando eu digo que irei chorar por conta dela, ou falta dela ninguém acredita. Não é porque tem meu nome escrito no seu tronco imponente, não! Poderia escrever em qualquer outra e fazê-la especial por conta disso. Não é porque faz 10 anos da minha vida que acordo e a primeira coisa pra que eu olho é pra aquela bela nódoa verde ou amarela, principalmente, por causa da estação. Também não é porque todos dizem, "plante uma árvore" como de praxe, até porque ela faz questão de manter um pouquinho do meu ar mais saudável... É apenas pelo fato dela presenciar sempre de perto todos os melhores momentos da minha vida, por ela fazer parte de tantos dias especiais que eu passei sentada embaixo da sua sombra rindo, cantando, chorando, ou até correndo por conta da chuva. Das minhas indagações ao meu pai de outonos a outonos em querer saber, porque as folhas secam? Do meu rastro que eu deixo pelo mundo, assim como ela. Porém, mais cedo ou mais tarde alguém sem piedade alguma ou apenas sensibilidade, vai cortá-la ao meio, porque acharam “uma boa” fazer um prédio aqui do lado que vai cobrir toda minha rotineira vista.
Não, eu não fiquei nem um pouco feliz em ter vizinhos agora. Muitas vezes uma simples árvore é tão mais companheira do que qualquer outra pessoa, que se soubessem, cuidariam de uma, assim como eu fiz com essa, a minha árvore, o meu ipê-amarelo.


Beatriz Marques

domingo, 23 de novembro de 2008

Manual

Não sou a mais bonita de todas, a mais simpática o tempo todo, ou a mais doce. Ok, não sou um bonequinho graças ao bom Deus. Nem a mais inteligente – quem me dera. Sempre fui fascinada em pessoas que conseguem entender certas complexidades da vida, que não vem ao caso agora. Sou só muitas vezes censurada de louca, subjugada por quem nunca ao menos cheguei a conhecer só porque não tenho uma “consciência pré-fabricada”, porque vivo pra dentro, gosto de coisas intensas e sem sentindo – fora do estilo, da moda, do ritmo diário da dança de conveniências- e que, pra constar, ando sempre apertando os olhares querendo despir as almas alheias com um sorrisinho sacana de quem acabou de conseguir. Ah, vai entender, linhas paralelas se encontram no infinito, um lugar é melhor depois de muito tempo sem ser estado e a loucura mais insana é a loucura que não demonstras e conserva só pra você;

Beatriz Marques

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

antes que seja tarde;

Não achava necessário te fazer surpresas. Nos surpreendíamos por nós mesmos, sem ao menos perceber. Conversas no meio da rua, no meio da chuva, árvores com nomes em troncos, músicas e anéis, beijos quase só um leve sentido de lábios, abraços... E que abraços. Faziam-me ir à perdida Atlântica ou ilhas gregas num tão simples gesto. Que coisa mais retro, você deve estar se perguntando, e careta também. Bem se careta ou retro for sinônimo de amor, eu não temo a vergonha de ser, porque era. Em quase câmera lenta, lembro de ter virado o rosto e joguei o cabelo para trás - cheio de tranças que havias feito – e meus olhos penetraram nos teus que detectavam cada movimento. E de repente a gente parou naquele instante que parecia ser só nosso, calmo e límpido e para então, ser quebrado pelo seu repentino e estrondecedor: nossa, eu te amo!

Construção

Construção pára. Deixe que o sol a pino paire sobre a cabeça deste velho trabalhador cansado, que tenta construir algo sem muito sucesso – como tudo que é feito sem apreço. Construção pára. Que se destruam cada pilha de tijolos como quem tenta destruir as saudades e pára. Construção, não cresça mais do que meu medo de crescer, nas faças uma nova “visão de dia” acontecer, não se edifique contra minha razão – em meio de cimento cinza, pedras, e pedras – é tudo que me resta. Que a cada manhã não aumente um andar escondendo mais um terço do meu sentimento, do resto do nada que viraram meus bons momentos. Somente pare e não transforme minha vida em alma nova, não quero amadurecer com o mundo e percebi isso – ele é chato – prefiro assim, sozinho e colorido assim. Cresces e me fazes como ti, pedra bruta, concreto firme, coração inibe. Pare no tempo ou volte, melhor assim. Volte ao tempo que fostes nada, e era tudo; meu corpo, mente e vida. Minha alegria, sem você. Só quero isso construção, pára.

Beatriz Marques

sábado, 1 de novembro de 2008

Inside of Soul

Estava faminta. Não era fome de comida, sexo, amor, carinho ou atenção, não.
Antes fossem tais desejos. Era fome de algo menos subjetivo, que fazia tempos que não encontrava, que houvera se tornado um desconhecido, velho e distante conhecido.
Ela estava insaciável em sua fome. Tinha fome de alma.

Beatriz Marques

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Lírio

Me chama, me chama, me chama... Repetia na rádio sem parar. Não escolhi a freqüência não, por um acaso, já estava nessa, eu não. Estava fora de órbita mesmo, sem freqüência alguma. Depois de tanto tempo, de tantos aforismos ilógicos e fundamentando uma tese bem complexa de vida ,eu parei. Quem diria que depois de tudo, eu conseguiria voltar a me sentir tão leve. Conseguir tirar aquele chumbo da minha mente e parecer o lírio do campo. Aquele que um dia você mesmo sugeriu. E não consigo esquecer, olhava-me de um jeito estranho, no meio da ladeira que era alinhada por azulejos em tons de azul, pegando-me pelo braço e sussurrando algo quase impossível de compreender, mas que foi impossível de esquecer... “Janis, querida Janis, és o lírio do campo, o mais belo deles, não se perca de mim, não voe longe, te quero aqui”. Sorri e era apenas sorrisos. Não via nenhuma semelhança à Janis como você jurava ver, mas achava bem interessante essas suas comparações metafóricas. Como essas palavras fizeram um efeito em mim. E agora, voltando da atmosfera,sem peso algum, elas ainda me fazem sentir leve, lírio leve. Por causa de você, menino.

( essa é mais do que especial. Merece um obrigada )

Beatriz Marques

Por falar em felicidade

Eu não preciso de pessoas ao meu redor me pondo lá em cima para depois me derrubarem facilmente, não preciso de alguém me dizendo a cada 5 segundos que me ama e que não sabe viver sem minha existência, o que é até muito patético. O que nos deixa patéticos. Não preciso de nada tão vão assim, de criar expectativas e necessidades absurdas, de livros de auto-ajuda - ou pior, falsas palavras de bom caráter, sã consciência fabricada, personalidade falso moralista ou qualquer coisa que fuja do meu eu - romances explicitados que criam ilusões infinitamente dolorosas. Gosto da realidade, não de histórias fantasiadas com fins felizes. E não se espante, não tenho um coração de pedra, só não preciso de nada mais que me preencha, me complete. Minha felicidade já faz isso por si só

Beatriz Marques

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

ínfimo

... e infimamente ínfimo, bem abaixo do seu cinismo, ainda ousas dizer que nada mudou. Desculpe, mas prefiro mastigar dia-a-dia minhas habituais e doces ilusões, à sua crua realidade engolida a seco.

Beatriz Marques;

terça-feira, 7 de outubro de 2008

vaga-lumes

Como eu tinha prometido fiquei te esperando até as 7, 7 e meia, e todos os minutos e segundos seguintes. As luzes dos faróis baixos passavam tão depressa que de repente depois de algum tempo pareciam só vaga-lumes que desapareciam na escuridão... Desapareciam. Nenhuma ligação me ousou oportunar, mas bem que eu precisava disso. Porque eu esperava algo, um milagre, uma coisa usual ou qualquer coisa assim. Eu estava sentindo, até a escuridão desaparecer, e como vinha a dizer... até você.

Beatriz Marques

sábado, 4 de outubro de 2008

Caixinha de música

Vou comprar uma caixinha, daquelas de canção pra dormir com uma bailarina bem no meio, e ela vai nos ter dançando nossa música, como de costume, você por entre olhando e decifrando os gestos meus, e guardar como aquela pétala de flor amarela no livro que você me deu.

Beatriz Marques

domingo, 28 de setembro de 2008

Ao acaso

De repente eu passei a imaginar se nunca tivéssemos nos encontrado – nessa vida ou em outra qualquer-, nem que nenhuma obra do destino fizesse isso conosco, essas charadas e enigmas que insistem em nos perseguir. Abdiquei de líricas que antes soavam perfeitas porque hoje, se tornaram ‘inescutáveis’ ao simples toque, larguei meus pensamentos úteis pelos triviais sem o mínimo de esforço, e enojo cada novo gesto desse seu novo ser, dessa sua nova feição que não me atrai nem um pouco, nem me cativa como antes. Se nós nunca tivéssemos nos amado eu não teria monstros, espectros ou fantasmas do passado – qualquer coisa do passado – que ainda me atormenta todos os dias, e que eu tenho que me livrar de um jeito simples. Descobri, não existem coisas simples, elas são sempre as mais complexas e as complexas se tornam pequenas perto delas. Cheiros são complexos, palavras e vazios que enchem todos os espaços do meu pensamento explicitando Ben Harper ao fundo “oh baby now lets get down tonight” e os teus olhos por entre os cachos que cobriam minha visão que tentavam penetrar, nesse vazio de pensamento
. Eu queria agora, poder olhar lá pra fora, como um dia desses que se passou tão depressa, sem nenhuma preocupação futura ou nenhuma dor dilacerando meu coração, porque sabe meu amor, essa dor vem dilacerando, resumindo e sintetizando meu sentimento a isso. A essa coisa que eu desejaria nunca que existe. E imagine se nada existisse, nem passado, nem futuro, eu, você, ou encontros ao caso, que criam um caso, e fazem a gente imaginar, se nunca tivéssemos nos encontrado. Seria bem melhor pra mim.

Beatriz Marques

rockbar

No bar tocava ‘all over now’ enquanto ela sentia que o certo seria absorver cada gota de álcool de todas as garrafas até elas ficarem tão vazia quanto ela se sentia. E via total semelhança dele no guitarrista que dedilhava fitando-a de um jeito indecifrável. Olhava-o também de forma indecifrável não por simples retribuição, mas porque já passava das 3, porque via nele um velho conhecido, porque estava sozinha no mundo, sozinha com sua solidão amena e tudo que pudesse relembrá-lo... Ainda era ‘impregnante’ seu cheiro em sua roupa, ele ainda estava lá.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Happy End, nada cinderelesco

Não me leve a mal meu querido, e veja se entenda de uma vez. Não é que eu tenha deixado o romantismo de lado e de repente ter-me chafurdado nesse poço de ceticismo que só se satisfaz com muitas doses: de gim, de café, de desapego, ou qualquer outra coisa que me deixe – fora de mim – só parei de tentar encontrar alguém que me prenda a respiração, me revire o estômago e me faça querer cometer o suicídio culposo de deixar meu coração viver. Mesmo sendo o melhor dos farrapos e que, além disso, cumpra o “ditado popular”: eu te amo para sempre.
Há alguns messes eu encontrei um, me desencontrei. Achei o meu príncipe encantado, de barba por fazer, que não liga pra o que dizem por aí, com cigarro no canto da boca, que declama Jimi Hendrix como se os versos fossem realmente feitos pra mim e ainda me chama de “baby”. Achei que tinha o achado... É, achei errado.
Virei esse poço de ceticismo, “feliz para sempre” e fim.

Beatriz Marques

sábado, 13 de setembro de 2008

Hoje eu decidi,
vou cometer um suicídio culposo,
qualificado e doloso.
Hoje eu decidi,
vou deixar um pouco mais
meu coração viver.

Beatriz Marques

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ecdise

Chega a ser hipócrita alguém dizer que não vai mudar pelas pessoas ou coisas ao seu redor. Você muda todo instante, querendo ou não, por todos que ama, pelo seu café favorito, e porque não, por você mesmo. Mudo sim, sofro ecdise a cada fração de pensamento, e me orgulho disso. “A de sempre”? Não mesmo, não há nada que prossiga em mim, não sou a mesma nem de 1 minuto atrás e não me arrependo... isso é para covardes.

Beatriz Marques

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Para um sorriso quebrado

Não deixe que seja apenas versos brancos

sem um pingo de rima ou poesia.

Não permita esse excesso de nostalgia

viva a vida e não ouse lamentar;

Beatriz Marques

Ápice

Eu vou ficar olhando o teu sorriso, até ele me dizer alguma coisa. Até meu coração saltar, fazer minha pele arrepiar, ou o teu olhar penetrante fazer o meu brilhar. Eu quero ficar olhando pra ti, e não quero parar. Quero sentir essa sensação de poder estar ao seu lado, de me sentir envolta numa espécie de nuvem, poeira cósmica, ou qualquer coisa assim, que me prende a todos os seus gestos, e me liga a ti, a teu cheiro, tua pele. Nesse conjunto de sentidos, nas conjunções estrelares, com luzes piscantes em volta e uma música de fundo, que realmente parece uma trilha sonora sendo tocada no exato momento (o que é, no entanto, nada além do fruto da minha fértil imaginação, minha “vontade de momento” sabe? ). Eu quero isso, esses segundos que nem com todas as palavras inventadas do meu mundo sobrenatural eu poderia descrever...Eu só quero esse sorriso, sincero como resposta, minha pra você.

Beatriz Marques

Sábado à noite

Minhas vontades mudaram, uma “mentalmorfose” talvez. Hoje prefiro escrever meus pensamentos “infundados” depois de passar horas em cima do telhado de casa, vendo uma paisagem velha conhecida minha. Prefiro isso, a chegar de madrugada depois de ter gastado todo meu dinheiro em álcool e cigarros para curar “sei-lá-o-quê” que havia dentro de mim e fazer parecer que foi colocado tudo pra fora à medida que eu começo a vomitar cada pingo de gim. Passo a noite ouvindo Bob Dylan tocar, e como nunca havia antes, prestei atenção como ele parece tocar sua gaita unicamente pra mim. Deprimente? Não. Acho que com o passar do tempo, deprimente virou a situação de ver o mesmo tipinho de gente todo sábado, socializar por conveniência, brigar muito com a minha mãe por bobagens, ruer as unhas, fazer pouco da minha sorte, e como de praxe, achar que tinha me divertido horrores! Hoje, acho imensamente prazeroso esse “programa de gordinha tensa” que alguns preferem assim chamar. Aprendi que, divertido são as novidades...E ficar mergulhada nos meus pensamentos e viver mais cada canto da minha casa – e da minh’alma, se transformou na melhor novidade dos últimos tempos.

Beatriz Marques

Tudo que eu queria te dizer II

Fala mesmo na minha cara! diz tudo, e exatamente como aconteceu não fica esperando minha reação: se vai ser um tapa na tua cara ou não...nem fique esperando eu chorar e dizer que entendo, como todas as vezes que fiz.Me diz de uma vez todas as 'ligações perdidas' e as mensagens na secretária,das desculpas esfarrapas, do mais claro circo armado em plena cara - minha! Escracha! põe tudo pra fora, porque eu to ficando sufocada por você,pela situação que me fizestes passar, pelo 'pão que o diabo amassou', ta bom assim? Sei que disse: não quero te ver, nem ouvir falar de você! Mas agora eu quero! Quero que você fale pra mim do começo até o fim... das suas traições e mentiras que achavas tão sutis. Sutis eram meus sinceros 'sei mais lá o que' por você; não faças mais café pra mim, porque não vou mais visitar você pra saber como passou o dia. Não vou mais cuidar de você, se é exatamente isso que teme perder: um afeto absurdo 24hras. Uma boa notícia? Não sou sua farmácia AM. PM. para você curar suas depressões com analgésicos.Não quero teu amor, teu arrependimento, tua mudança. Não quero mais nenhum apego por mim, nem porra nenhuma que venha de você, não te suporto mais, entende? Não agüento tua voz mansa de falar, calculando em que passo a mais irá me prender a respiração. Quero mesmo é que você exploda, que desapareça levando tudo que eu cultivei dentro de mim pra ti,e não insista em olhar pra trás e consertar tudo... já tentei fazer isso demais, por nós dois.

Cansei.

Beatriz Marques

domingo, 31 de agosto de 2008

Minha lembrança, um camafeu

Ela foi embora. E entre soluços trôpegos e lágrimas que escorriam pelo camafeu que me dera antes de ir, eu não me conformava em meio da multidão na estação de trem. Lembro bem desse dia, ela chegou com aquele brilho dourado nas mãos colocando nas minhas e apertando contra o peito, repetindo sempre a mesma frase “guarda-me contigo pra sempre?”. Guardei... Guardei o cheiro do café que ela deixou pronto antes de sair, guardei seu cinzeiro na varanda, os seus discos antigos, o seu sorriso de Bom dia, guardei-a sim comigo.
Queria que agora ao chegar em casa, a visse na sala, me esperando com a mesma pergunta, como de praxe “comprou os cartões? Deixei o vinho na geladeira e passei a sua pólo branca”, e nos divertíamos noite a dentro acabando sempre com a minha satisfação em vê-la dormir sorrindo em meus braços.
E quantas vezes não desejei ser menos orgulhoso, e deixar ao menos ceder-me um pouco mais aos seus discursos melodramáticos que só evidenciavam ainda mais os seus sentimentos por mim. Mais uma lágrima. Um arrependimento. Pensei, enquanto relembrava meus dedos passando por entre seus cachos em curvas perfeitas o quanto eu poderia fazê-la feliz – o quanto eu queria isso, esse ápice de amor&paixão que pairava sobre nós – e pronto, acabou. Não posso mais pegar um trem, um avião, ou nadar atravessando um oceano inteiro para vê-la, isso vai além das limitações humanas. Ela se foi sem deixar recado na secretária eletrônica, ou minha pólo branca passada... Se foi e só deixou saudade. Saudade da sensação que eu tinha ao abraçá-la forte, sensação que não fazia nem calor nem frio, fazia amor, só isso. Guardei o aroma dos lírios brancos que ela adorava, em frente ao tumulo em que fora colocada. Guardei-a comigo.


Beatriz Marques

Contemplar

Contemplar. Era a palavra que há muito eu procurava para tentar descrever o meu estado de transe, minha babaquice espontânea, meus relances que se confrontavam no meu “eu” interior. Ah, não existiam consciente, subconsciente, razão ou coisas lógicas e práticas assim... Era só sentindo. Até um pouco animalesco, confesso, mas com um ar angelical, com inocência do mesmo. Minha retina seguia em rápidos movimentos: pés, pernas, pêlos, brincos, cigarros, sorrisos, cabelos. Iam e voltavam numa velocidade, que se não, minha mente não acreditava no que estava ali. Precisava ver muito para crer. Embalados em meio de dedilhados, e hoje, nostálgicos flashes de um feliz tempo, meus pensamentos se perdem no meu desejo idiota de regredir, e permanecer num dia, que julgo merecer eternidade. Lembro bem da música, dos corpos em perfeita harmonia e cheiro... E desculpe, nesse êxtase de emoções, continuei a contemplar.

Beatriz Marques

domingo, 3 de agosto de 2008

num café

Fazia, como todos os últimos dias do inverno, aquela chuvinha fina, chata, que nos molha sem o mínimo da nossa percepção e nos obriga a sair de casa levando um bom casaco. Fazia aquele vento frio, e uma claridade bem característica do tempo nublado, em frente ao café em que eu estava. Eu e mais um milhão de pessoas que passavam apressadas na rua... que me davam vontade de tomar meu capuccino cada vez mais devagar e só observá-las. E sugava o fumo do meu cigarro, apertando os olhos para duas pessoas que sentadas à minha frente, se confrontavam sem parar. Ela chorava compulsivamente, como se não conseguisse conter a vergonha do choro, nem seus soluços repetidos e involuntários. Já ele, não. Estava desconfortado com a situação e várias vezes olhou para os lados, para as pessoas ao seu redor, inclusive para mim. Se levantou rapidamente, fugindo daquele desconfortável momento em que a moça o pusera, como se todos tivessem engolindo-o com os olhares (o que não aconteceu, porque estavam no local todos muito intertidos nos seus diálogos pertinentes) . Ela correu na direção dele, na direção de um carro que vinha em alta velocidade pela avenida em frente ao café. Pronto! Em menos de 2 segundos tinha inúmeros curiosos em volta da tragédia. Ele olhou para o chão, e fez um feição até um pouco difícil de decifrar, como se sentisse uma certa sensação de alívio e voltou a fitar-me, a única pessoa que o observara, ainda no café, ouvindo um bom "blues", num dia frio, com meus cigarros e capuccino, abismada com o "espetáculo da vida humana". Ele foi embora, como se não viera a acontecer nada... Sem sequer olhar para trás.


Beatriz Marques

terça-feira, 15 de julho de 2008

Tudo que eu queria te dizer I

eu não te amo mais! eu percebi o fato quando nos encontramos pela última vez. Estava eu, em seus braços, beijando o 'passado', o meu desejo que você fosse o mesmo, qualquer coisa.. menos VOCÊ! Mas me indago ainda, porque me preocupo contigo? Porque penso em ti tantas vezes, como se tivesse a obrigação de estar sempre ali por você. Há uma coisa chamada consciência; e venho tendo a certeza cada vez mais que é ela que me faz enfraquecer perto de ti. Não, não o coração, nem o corpo, mas a consciência. É aquela que me faz lembrar de uma coisinha que prometi a tanto tempo, mesmo sem minha percepção..o "Cuidar de você pra sempre". É por isso, mesmo sem querer ser dura e seca ao dizer, é com toda certeza que meus sentimentos por ti explodiram! Todos.. menos esse afeto 'obrigatório'que sinto por você.

Beatriz Marques ;

terça-feira, 8 de julho de 2008

"Caminhão de Mudanças"

Não, não sabes, não sabes como tentei me interessar pelo desinteressantíssimo. Eu sei o que tu vais dizer, como todos dizem “ Ah, existem milhões de pessoas interessantesno mundo”, mas não, foi tudo o que me disseram para não fazer, e não seguir que eu decidi. O que tiver mais coração eu sigo, certo? Até os ventos sabiam que faria o que dizia, e foi feito. Agora, parecem que sentem satisfação em olhar pra mim para dizer,esta aí, está feito, e eu disse!
A árvore vai ser cortada para a construção de um prédio de meia-tijela, os cds e cifras eu dei a vizinha, testemunha do quanto erramos,os teus cinzeiros não me pertencem mais,assim como meus livros não estão mais na tua estante... Nosso porta-retrato agora cede lugar para uma pilha de livros que ganhei no último feriado e ainda não os li,não por falta de vontade, mas por ter uma boa memória e assimilar cada história a nossa, e fazer de cada palavra, como se fossem suas pra mim. O sofá eu vendi sem olhar pra trás e lembrar do que ali sonhamos. Pra mim, coube tudo num "caminhão de mudanças",até a dor que não soubemos curar , mas que o dia vamos... E se pedir pra voltar, ah não volte não, porque não sabes, me partiste em mil pedaços e me deixaste sem chão.

Beatriz Marques