domingo, 30 de novembro de 2008

Todo dia;

Acredite se quiser, mas mudamos sim. Mudamos e muito. Uma mudança incessadamente profunda. Mudamos os nossos hábitos, nossas conversas, nosso jeito de agir, e principalmente, nossa visão de mundo. Vimos e estabelecemos de uma vez que não existe nada melhor do que fazer mudanças positivas e somá-las a boas antigas. Pra começar, deixamos de ir a festinhas de 15 anos, ao shopping todo sábado, e a lugares pequenos... Não de espaço, pelo contrário, eram enormes, mas cheios de pessoas pequenas, medíocres, que não valiam à pena.
Depois, passamos a não nos preocupar com o que vestir - não pela roupa em si - mas deixamos de nos preocupar com que os outros iriam pensar. Pensávamos tantas coisas e nos imaginávamos daqui a alguns anos, mas nossa, que bobagem! Como se pudéssemos escrever cada linha da nossa vida, de maneira simples e prática.
Precisou de tempo, e muita coisa acontecer, pra irmos aos poucos, nos tornando pessoas melhores, maduras, e por incrível que pareça, bem menos complexas, mas fáceis de entender e compreender os outros. Não saímos de casa com a roupa da loja que mais faz sucesso, a bolsa da moda, todas emperiquitadas nessa nossa “pequena e pacata cidade de campina grande” para o point onde todos te lêem como se fosse a bíblia... Onde sabem - ou pretendem saber - mais de seus podres do que sua mãe. Hoje nós saímos de vestido folgado, sandália baixa, cabelos naturais para ver o pôr-do-sol. E não, não viramos Hippies, alternativas ou qualquer coisa assim.
Só estamos saturadas desses pensamentos alheios e mesquinhos. Rasgamos o verbo, aprendemos a viver!


Beatriz Marques

Ipê amarelo

Quando eu digo que irei chorar por conta dela, ou falta dela ninguém acredita. Não é porque tem meu nome escrito no seu tronco imponente, não! Poderia escrever em qualquer outra e fazê-la especial por conta disso. Não é porque faz 10 anos da minha vida que acordo e a primeira coisa pra que eu olho é pra aquela bela nódoa verde ou amarela, principalmente, por causa da estação. Também não é porque todos dizem, "plante uma árvore" como de praxe, até porque ela faz questão de manter um pouquinho do meu ar mais saudável... É apenas pelo fato dela presenciar sempre de perto todos os melhores momentos da minha vida, por ela fazer parte de tantos dias especiais que eu passei sentada embaixo da sua sombra rindo, cantando, chorando, ou até correndo por conta da chuva. Das minhas indagações ao meu pai de outonos a outonos em querer saber, porque as folhas secam? Do meu rastro que eu deixo pelo mundo, assim como ela. Porém, mais cedo ou mais tarde alguém sem piedade alguma ou apenas sensibilidade, vai cortá-la ao meio, porque acharam “uma boa” fazer um prédio aqui do lado que vai cobrir toda minha rotineira vista.
Não, eu não fiquei nem um pouco feliz em ter vizinhos agora. Muitas vezes uma simples árvore é tão mais companheira do que qualquer outra pessoa, que se soubessem, cuidariam de uma, assim como eu fiz com essa, a minha árvore, o meu ipê-amarelo.


Beatriz Marques

domingo, 23 de novembro de 2008

Manual

Não sou a mais bonita de todas, a mais simpática o tempo todo, ou a mais doce. Ok, não sou um bonequinho graças ao bom Deus. Nem a mais inteligente – quem me dera. Sempre fui fascinada em pessoas que conseguem entender certas complexidades da vida, que não vem ao caso agora. Sou só muitas vezes censurada de louca, subjugada por quem nunca ao menos cheguei a conhecer só porque não tenho uma “consciência pré-fabricada”, porque vivo pra dentro, gosto de coisas intensas e sem sentindo – fora do estilo, da moda, do ritmo diário da dança de conveniências- e que, pra constar, ando sempre apertando os olhares querendo despir as almas alheias com um sorrisinho sacana de quem acabou de conseguir. Ah, vai entender, linhas paralelas se encontram no infinito, um lugar é melhor depois de muito tempo sem ser estado e a loucura mais insana é a loucura que não demonstras e conserva só pra você;

Beatriz Marques

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

antes que seja tarde;

Não achava necessário te fazer surpresas. Nos surpreendíamos por nós mesmos, sem ao menos perceber. Conversas no meio da rua, no meio da chuva, árvores com nomes em troncos, músicas e anéis, beijos quase só um leve sentido de lábios, abraços... E que abraços. Faziam-me ir à perdida Atlântica ou ilhas gregas num tão simples gesto. Que coisa mais retro, você deve estar se perguntando, e careta também. Bem se careta ou retro for sinônimo de amor, eu não temo a vergonha de ser, porque era. Em quase câmera lenta, lembro de ter virado o rosto e joguei o cabelo para trás - cheio de tranças que havias feito – e meus olhos penetraram nos teus que detectavam cada movimento. E de repente a gente parou naquele instante que parecia ser só nosso, calmo e límpido e para então, ser quebrado pelo seu repentino e estrondecedor: nossa, eu te amo!

Construção

Construção pára. Deixe que o sol a pino paire sobre a cabeça deste velho trabalhador cansado, que tenta construir algo sem muito sucesso – como tudo que é feito sem apreço. Construção pára. Que se destruam cada pilha de tijolos como quem tenta destruir as saudades e pára. Construção, não cresça mais do que meu medo de crescer, nas faças uma nova “visão de dia” acontecer, não se edifique contra minha razão – em meio de cimento cinza, pedras, e pedras – é tudo que me resta. Que a cada manhã não aumente um andar escondendo mais um terço do meu sentimento, do resto do nada que viraram meus bons momentos. Somente pare e não transforme minha vida em alma nova, não quero amadurecer com o mundo e percebi isso – ele é chato – prefiro assim, sozinho e colorido assim. Cresces e me fazes como ti, pedra bruta, concreto firme, coração inibe. Pare no tempo ou volte, melhor assim. Volte ao tempo que fostes nada, e era tudo; meu corpo, mente e vida. Minha alegria, sem você. Só quero isso construção, pára.

Beatriz Marques

sábado, 1 de novembro de 2008

Inside of Soul

Estava faminta. Não era fome de comida, sexo, amor, carinho ou atenção, não.
Antes fossem tais desejos. Era fome de algo menos subjetivo, que fazia tempos que não encontrava, que houvera se tornado um desconhecido, velho e distante conhecido.
Ela estava insaciável em sua fome. Tinha fome de alma.

Beatriz Marques