Se pergunte o que diabos é isso dentro da nossa mente que nos faz querer abruptamente ser de alguém. Que nos faz tornar um breve momento em uma recriação poética e transformá-lo num conto de fadas...que vai pro ralo assim que ele não retornar a ligação como tinha prometido.
Beatriz marques
segunda-feira, 27 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
O cara tem que te achar linda quando estas toda suja de tinta, franzindo a testa e sorrindo enquanto vê naquilo sua maior inspiração. Acha isso porque fazes com que ele se sinta leve perto do seu brilho radiante, do seu sorriso estonteante e seu jeito bem peculiar de ser. Já aquele cara que te acha linda enquanto estas num vestido caríssimo de seda, numa maquiagem de boneca de porcelana e com um perfume francês de tirar o fôlego, ah querida, esse não faz mais do que sua obrigação.
Beatriz Marques
Beatriz Marques
Libertinagem
Não precisavam de ensaios, teses, argumentos que comprovassem o que era preciso falar. Não era necessário aquele jogo de regras do ‘pode-não pode-pode-não pode’. Não fazia lógica prender a respiração a cada inicio de frase planejando o que ali seria feito – geralmente fazia mais sentido suspirar ao final delas. Engraçado pensar que isso pode mesmo acontecer... você acordar, passar pela vitrine do café, atravessar a rua olhando as poucas árvores que ainda restam na calçada... Repetindo todos os dias os mesmo rotineiros atos até que de repente, isso perde o brilho. O encanto daquela arte diária que vives fica opaco aos seus olhos, fica invisível, (in)essencial . Falar de amor não se sabe mais. ‘Quero o lirismo dos loucos... O lirismo difícil e pungente dos bêbados’, será que me aprisionaram, me travaram? Será que levaram o que eu mais cultivava de dentro de mim? A minha loucura, doce e fluente insanidade que me habitava, que me fazia sentir pelas entrelinhas? Que me fazia transpirar histórias comedidas de amores desmedidos. Não sei.. Ou sei, não quero! Não quero troféus por ‘lirismos comedidos’, não quero receitas práticas de como se montar a última página do próximo Best seller, não quero méritos por dissertações sobre o já desajuntado “novo assunto do momento” na sociedade mundial. Quero libertinagem. Quero exalar mais neo-poesia, mais infinidades de frases dupla-face. Não quero cadeias na minha mente, quero libertá-la pra o que ela ‘sente’, para o que ela teme e fazê-la estremecer.“Não quero saber do lirismo que não é libertação”.
Beatriz Marques
Beatriz Marques
outside
É sempre assim...até um tanto difícil de entender. Seguir mesmos conceitos e idéias me enchem o saco, padrões me irritam. Me fazem imaginar uma fila indiana com ‘produtos’ em marcha. O quesito: ‘interessante’ em alguém deixa de ser um artifício a mais já que todos vem com o mesmo selo lacrado. Monotoníssimo, diria. Acontece que ver os defeitos d’outro primeiro é sempre mais fácil, mas que o mundo vem transbordando uma gentinha pseudo-intelectual, ah, isso vem sim. Vamos todos gostar de fotografia e comprar a câmera que mais bomba no momento? Vamos todos gostar de mallu Magalhães e de Chico burque? (pobre Chico, o que fez pra ser adorado por pessoas tão...’estranhas’ - usando de um eufemismo gritante). Vamos todos nos entupir de caio Fernando até as veias? - enquanto não entendem uma frase do lirismo de um gay aidético depressivo que escreve como ninguém. Vamos escutar aviões mais escondido... ‘não pega bem’, não é? Pronto. Isso já ta ridículo, e na hora de um basta! Pessoas cansativas fazer o que invejam em outros, o que elas não têm capacidade própria de pensar, achar, ou até simpatizar. Enfim, vou comprar uma câmera de plástico da Kodak, fazer minhas próprias músicas e cantarolá-las o dia inteiro – minha última experiência em relação a isso foi um tanto bem sucedida e espero estar progredindo. Vou escrever minhas próprias ‘decepções com o mundo e com as pessoas’ – já que usar a sua própria inteligência e deixar a de terceiros um pouco de lado também é bem recompensador. Vou pegar o dinheiro que restou na conta e comprar uns discos antigos, ficar mais tempo com a minha mãe comendo chocolate caseiro, e umas tintas... andei lembrando como é bom pintar tela em óleo com aquele cheiro de terebentina que a gente sentia nas aulas de artes. E por fim, ao final da noite, vou abdicar da vodka – sem esforço algum – e tomar um conhaque que achei do lado dos vinhos de semana santa e gastar os últimos reais de crédito num interurbano que, com certeza, vai ser pro próximo cara que vai fuder com minha vida – afinal, todos precisamos tomar vergonha na cara e ver se aprendemos alguma coisa com tudo isso, não?
Beatriz Marques
Beatriz Marques
sábado, 7 de fevereiro de 2009
infinitamente - beija, flor.
Desci pelas escadas correndo, sem querer perder de vista pela janela lateral os seus cabelos voando a favor do vento. Sem querer perder de vista o brilho que havia no meu sorriso. Segurei-me na fresta da porta, ainda ofegante, e como se faltasse segundos de ar, me lancei em seus braços;Nunca gostei muito de despedidas, confesso. São sempre muito duras e tristes, deixam com os olhos inchados, e com uma dor fina no peito, realmente muito relutante. Mas enfim, aquilo foi uma coisa que eu realmente teria que passar, de experimentar esse sentindo. Digo isso hoje, mas na hora não pensei muito em conseqüência alguma – eu sabia que seriam muitas. E o abracei, não pensando que poderia ser a última vez, mas tendo a certeza que seria a mesma. Chocante saber quando realmente vai ser a última vez. É como acreditar num médico que lhe dá duas semanas de vida, ou olhar pra uma criança, e crer que ela se tornará a pessoa mais revolucionária do mundo sem perder as esperanças. Bom pra aqueles que sonham sempre com a mágica frase “para sempre”. Ela soa muito doce, isso é verdade. Mas me parei num segundo pra pensar quantos significados existem para o tal do sempre. Para certas borboletas, o seu sempre são 24 horas, por exemplo. Mas nessa última vez, eu senti uma coisa inexplicável. Talvez o meu superado medo e anseio às despedidas tivessem aumentado tudo que até agora eu não consegui compreender. Porque eu senti. Senti o seu coração bater tão rápido quanto o meu, e juntinho. Ficamos quase que intocáveis nessa batida acelerada, que me fez lembrar uma história que ouvi. Um homem num bar, em um de seus corriqueiros porres, relatou sobre a inconfundível habilidade de um beija-flor. Este pássaro conseguiria voar com a incrível velocidade de 80 batidas de asas por segundo, conseguindo ficar imóveis no ar, apesar de ter um batimento cardíaco compatível aos das suas belas asas coloridas, que vistas em câmera lenta, formam um oito invertido. O homem, depois do exposto perguntou aos seus amigos que o olhavam atento, o que o oito invertido representava na matemática. O infinito. Foi aí que eu percebi que toda aquela sensação de corações desesperados em seus batimentos por alguma razão de vida - ou por aquela razão de vida – foi tão única. Porque, como diria o homem no bar “tudo sempre acaba no infinito”. E aquele fim terminou nisso. Ou fez apenas, começar;
beatriz marques
beatriz marques
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Feliz ano novo

Era tudo tão óbvio e claro agora. E como não pudera perceber tal “letreiro em neon” antes? Preferiu engolir seco, seu vinho branco suave, não queria mais ficar pensando nessas bobagens da vida de “porque não fiz isso?” ou “porque fiz aquilo”... Fazer-não fazer, não importa mais – já faz tempo. E o tempo apagou, dilacerou, fez gato e sapato com a sua vida que andava a mil maravilhas. Mais um dia daqueles, que tinha uma rotina bem peculiar de acordar bem-humorada, ir comprar o pão na padaria ao lado, ir ao salão, colocar seu perfume francês, olhar para o presente que houvera adquirido para o seu querido e dizer: hoje será um bom dia! Interessante como os conceitos sobre o que é bom ou não mudam com o velho e desgraçado tempo. Que hoje em dia, eu particularmente devo tanto. Continuadamente, os dias passaram, e passam, fazendo com que essa rotina se repita, essa coisa de “precisar urgentemente de amor” insista, de “Me ame” no anúncio de jornal, aconteça todos os dias - isso tudo é idéia furada. Mas como vinha dizer, seu conceito de bom era puro e simples, era esse, amar e ser bem amada, com o seu perfume francês, à beira-mar vendo os fogos de artifício bem acompanhada, e desejando que nada daquilo tudo mudasse. Quis que o tempo parasse. Venhamos e convenhamos, precisamos hoje dia em dia, como uma alma faminta tem sede de paixão, ou como um desolado precisa de amor, perceber que o que mais queremos, talvez seja o que mais nos afeta. Tranquilidade na rotina não deveria existir. Tranquilidade sim, mas rotina definitivamente não. Ela que achava ser feliz com o cara charmoso que tocava no barzinho badalado da vila São Paulo, que tinha um ar de Gael Garcia Bernal e a fazia sentir a própria Penélope Cruz, se tornou esse o maior tormento da sua vida. A rotina do dilema de continuar sendo amada ou não, de ser completa, sendo partida ao meio, sendo “dele”, como costumava repetir na noites em que passavam juntos. Estava ela lá, intocável em sua plenitude de felicidade, passando ano a ano, desejando que a velha e cômoda sorte, se reciclasse como seus artigos de auto-ajuda que lia semanalmente. Depois de ver o seu Gael numa posição – digamos exagerando já um eufemismo – bem agradável, com a vizinha, sua ex-melhor amiga, sua história de “ser completada por ele”, a levou à pensar num suicídio por gás de cozinha, talvez. Pra aqueles que querem parar o tempo, agora ela dá o belo conselho de acelerá-lo, vivendo-o. Nada de amores por quem se mata e morre. “Morra de amores por você mesmo”, ela diz enquanto desce no elevador, para ir comprar o pão na padaria ao lado. Dizem agora, por aí, em seu novo edifício, que depois do acontecido, o tal sósia do Gael lhe implorou para que voltasse - o que não aconteceu, de fato. Que ela andou fazendo mais compras do que o normal, já que seu emprego lhe garante um cartão platina, e um belo carro.E que, além disso, nesse ano novo, foi ao salão, como de costume, colocou seu perfume francês, e comprou um presente para si mesma junto com seu cliquot, para assistir, sozinha, ao show de fogos de artifício na praia da baixada. Passou a ouvir mais blues e MPB do que antes, e anda distribuindo sorrisos e olhares mais calorosos por onde passa. E ainda vem gente me dizer que “aquilo merecia ser parado no tempo”. Bobagem! Apesar de serem apenas rumores, acredito plenamente nessa nova atitude, nesse novo ser que nos agrega todos os – novos - dias, nessa vontade de fazer da vida, uma folha a limpo. Já fiz isso inclusive, no ano que se passou. Hoje desejo um ano novo, completamente novo, para todos que passam e riem de mim, por estar com meu chapangue debaixo do braço, os pés molhados da água do mar caminhando na areia da praia cantarolando uma música qualquer que diz “eu não sou nenhuma santa”.
Beatriz Marques
Beatriz Marques
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Para amar alguém, suspiro.
É o jeito de apertar os olhos quando está cara a cara, ofegar a respiração devagar, e olhar de cima a baixo que me fazia alucinar. Não precisava de nenhum pré-requisito, só isso já era o bastante pra me deixava sem ar
Beatriz Marques
Beatriz Marques
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