De repente eu passei a imaginar se nunca tivéssemos nos encontrado – nessa vida ou em outra qualquer-, nem que nenhuma obra do destino fizesse isso conosco, essas charadas e enigmas que insistem em nos perseguir. Abdiquei de líricas que antes soavam perfeitas porque hoje, se tornaram ‘inescutáveis’ ao simples toque, larguei meus pensamentos úteis pelos triviais sem o mínimo de esforço, e enojo cada novo gesto desse seu novo ser, dessa sua nova feição que não me atrai nem um pouco, nem me cativa como antes. Se nós nunca tivéssemos nos amado eu não teria monstros, espectros ou fantasmas do passado – qualquer coisa do passado – que ainda me atormenta todos os dias, e que eu tenho que me livrar de um jeito simples. Descobri, não existem coisas simples, elas são sempre as mais complexas e as complexas se tornam pequenas perto delas. Cheiros são complexos, palavras e vazios que enchem todos os espaços do meu pensamento explicitando Ben Harper ao fundo “oh baby now lets get down tonight” e os teus olhos por entre os cachos que cobriam minha visão que tentavam penetrar, nesse vazio de pensamento
. Eu queria agora, poder olhar lá pra fora, como um dia desses que se passou tão depressa, sem nenhuma preocupação futura ou nenhuma dor dilacerando meu coração, porque sabe meu amor, essa dor vem dilacerando, resumindo e sintetizando meu sentimento a isso. A essa coisa que eu desejaria nunca que existe. E imagine se nada existisse, nem passado, nem futuro, eu, você, ou encontros ao caso, que criam um caso, e fazem a gente imaginar, se nunca tivéssemos nos encontrado. Seria bem melhor pra mim.
Beatriz Marques
domingo, 28 de setembro de 2008
rockbar
No bar tocava ‘all over now’ enquanto ela sentia que o certo seria absorver cada gota de álcool de todas as garrafas até elas ficarem tão vazia quanto ela se sentia. E via total semelhança dele no guitarrista que dedilhava fitando-a de um jeito indecifrável. Olhava-o também de forma indecifrável não por simples retribuição, mas porque já passava das 3, porque via nele um velho conhecido, porque estava sozinha no mundo, sozinha com sua solidão amena e tudo que pudesse relembrá-lo... Ainda era ‘impregnante’ seu cheiro em sua roupa, ele ainda estava lá.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Happy End, nada cinderelesco
Não me leve a mal meu querido, e veja se entenda de uma vez. Não é que eu tenha deixado o romantismo de lado e de repente ter-me chafurdado nesse poço de ceticismo que só se satisfaz com muitas doses: de gim, de café, de desapego, ou qualquer outra coisa que me deixe – fora de mim – só parei de tentar encontrar alguém que me prenda a respiração, me revire o estômago e me faça querer cometer o suicídio culposo de deixar meu coração viver. Mesmo sendo o melhor dos farrapos e que, além disso, cumpra o “ditado popular”: eu te amo para sempre.
Há alguns messes eu encontrei um, me desencontrei. Achei o meu príncipe encantado, de barba por fazer, que não liga pra o que dizem por aí, com cigarro no canto da boca, que declama Jimi Hendrix como se os versos fossem realmente feitos pra mim e ainda me chama de “baby”. Achei que tinha o achado... É, achei errado.
Virei esse poço de ceticismo, “feliz para sempre” e fim.
Beatriz Marques
Há alguns messes eu encontrei um, me desencontrei. Achei o meu príncipe encantado, de barba por fazer, que não liga pra o que dizem por aí, com cigarro no canto da boca, que declama Jimi Hendrix como se os versos fossem realmente feitos pra mim e ainda me chama de “baby”. Achei que tinha o achado... É, achei errado.
Virei esse poço de ceticismo, “feliz para sempre” e fim.
Beatriz Marques
sábado, 13 de setembro de 2008
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Ecdise
Chega a ser hipócrita alguém dizer que não vai mudar pelas pessoas ou coisas ao seu redor. Você muda todo instante, querendo ou não, por todos que ama, pelo seu café favorito, e porque não, por você mesmo. Mudo sim, sofro ecdise a cada fração de pensamento, e me orgulho disso. “A de sempre”? Não mesmo, não há nada que prossiga em mim, não sou a mesma nem de 1 minuto atrás e não me arrependo... isso é para covardes.
Beatriz Marques
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Para um sorriso quebrado
Não deixe que seja apenas versos brancos
sem um pingo de rima ou poesia.
Não permita esse excesso de nostalgia
viva a vida e não ouse lamentar;
Beatriz Marques
Ápice
Eu vou ficar olhando o teu sorriso, até ele me dizer alguma coisa. Até meu coração saltar, fazer minha pele arrepiar, ou o teu olhar penetrante fazer o meu brilhar. Eu quero ficar olhando pra ti, e não quero parar. Quero sentir essa sensação de poder estar ao seu lado, de me sentir envolta numa espécie de nuvem, poeira cósmica, ou qualquer coisa assim, que me prende a todos os seus gestos, e me liga a ti, a teu cheiro, tua pele. Nesse conjunto de sentidos, nas conjunções estrelares, com luzes piscantes em volta e uma música de fundo, que realmente parece uma trilha sonora sendo tocada no exato momento (o que é, no entanto, nada além do fruto da minha fértil imaginação, minha “vontade de momento” sabe? ). Eu quero isso, esses segundos que nem com todas as palavras inventadas do meu mundo sobrenatural eu poderia descrever...Eu só quero esse sorriso, sincero como resposta, minha pra você.
Beatriz Marques
Beatriz Marques
Sábado à noite
Minhas vontades mudaram, uma “mentalmorfose” talvez. Hoje prefiro escrever meus pensamentos “infundados” depois de passar horas em cima do telhado de casa, vendo uma paisagem velha conhecida minha. Prefiro isso, a chegar de madrugada depois de ter gastado todo meu dinheiro em álcool e cigarros para curar “sei-lá-o-quê” que havia dentro de mim e fazer parecer que foi colocado tudo pra fora à medida que eu começo a vomitar cada pingo de gim. Passo a noite ouvindo Bob Dylan tocar, e como nunca havia antes, prestei atenção como ele parece tocar sua gaita unicamente pra mim. Deprimente? Não. Acho que com o passar do tempo, deprimente virou a situação de ver o mesmo tipinho de gente todo sábado, socializar por conveniência, brigar muito com a minha mãe por bobagens, ruer as unhas, fazer pouco da minha sorte, e como de praxe, achar que tinha me divertido horrores! Hoje, acho imensamente prazeroso esse “programa de gordinha tensa” que alguns preferem assim chamar. Aprendi que, divertido são as novidades...E ficar mergulhada nos meus pensamentos e viver mais cada canto da minha casa – e da minh’alma, se transformou na melhor novidade dos últimos tempos.
Beatriz Marques
Beatriz Marques
Tudo que eu queria te dizer II
Fala mesmo na minha cara! diz tudo, e exatamente como aconteceu não fica esperando minha reação: se vai ser um tapa na tua cara ou não...nem fique esperando eu chorar e dizer que entendo, como todas as vezes que fiz.Me diz de uma vez todas as 'ligações perdidas' e as mensagens na secretária,das desculpas esfarrapas, do mais claro circo armado em plena cara - minha! Escracha! põe tudo pra fora, porque eu to ficando sufocada por você,pela situação que me fizestes passar, pelo 'pão que o diabo amassou', ta bom assim? Sei que disse: não quero te ver, nem ouvir falar de você! Mas agora eu quero! Quero que você fale pra mim do começo até o fim... das suas traições e mentiras que achavas tão sutis. Sutis eram meus sinceros 'sei mais lá o que' por você; não faças mais café pra mim, porque não vou mais visitar você pra saber como passou o dia. Não vou mais cuidar de você, se é exatamente isso que teme perder: um afeto absurdo 24hras. Uma boa notícia? Não sou sua farmácia AM. PM. para você curar suas depressões com analgésicos.Não quero teu amor, teu arrependimento, tua mudança. Não quero mais nenhum apego por mim, nem porra nenhuma que venha de você, não te suporto mais, entende? Não agüento tua voz mansa de falar, calculando em que passo a mais irá me prender a respiração. Quero mesmo é que você exploda, que desapareça levando tudo que eu cultivei dentro de mim pra ti,e não insista em olhar pra trás e consertar tudo... já tentei fazer isso demais, por nós dois.
Cansei.
Beatriz Marques
Cansei.
Beatriz Marques
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