domingo, 7 de dezembro de 2008

Trilhos d'um trem.

E ela desceu do trem tão lentamente, e o vento esvoaçava seus cabelos fazendo com que a cena fosse passada em câmera lenta. Um filme mudo, talvez, foi o que eu pensei no exato momento. Quase uma característica atriz famosa inglesa, parisiense ou algo assim, que eu não conseguia decifrar – que não se consegue de fato. Pousou seus olhos nos meus estabanados e sorriu. Eu lembrei como tinha sido diferentemente estranho a última vez naquela estação, numa tarde chuvosa de inverno, que meu deus, me dava calafrios. Não pela chuva, mas pelas lágrimas que desciam sem parar pelo seu rosto em plena despedida. Era muita dor em uma pessoa só, o que me levava a pensar o quanto uma emoção atinge a alma de uma pessoa. Bem, a resposta estava bem na minha frente. Estava ela lá, parada sorrindo para mim novamente, como da primeira vez que nos conhecemos. Minto. Não exatamente como da primeira vez. Dessa, ela tinha um turbilhão de primaveras que resplandeciam em seu rosto, seus gestos, cabelos e sorrisos. Chegava a ser extasiaste a forma como me encarou, porque passou a me olhar encarando. Eu passei a ser um passado bem próximo. Pôs as malas no chão, pegou em minhas mãos e disse que por mais lugares que fosse com tantas outras pessoas estivera e com tantos dias passados por tais trilhos, ela descobriu que não caberia tanta vida apenas nisso. Que procurou em tantos lugares o que lhe faltava. Mas, nada. O que lhe faltava estava dentro, em você. Agora senti, essas palavras doces que soaram nos meus ouvidos, quem me falava era uma verdadeira mulher, que tinha a vida amarga, aprisionada e descobriu que o doce era voar.


Beatriz Marques

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