domingo, 26 de abril de 2009

Libertinagem

Não precisavam de ensaios, teses, argumentos que comprovassem o que era preciso falar. Não era necessário aquele jogo de regras do ‘pode-não pode-pode-não pode’. Não fazia lógica prender a respiração a cada inicio de frase planejando o que ali seria feito – geralmente fazia mais sentido suspirar ao final delas. Engraçado pensar que isso pode mesmo acontecer... você acordar, passar pela vitrine do café, atravessar a rua olhando as poucas árvores que ainda restam na calçada... Repetindo todos os dias os mesmo rotineiros atos até que de repente, isso perde o brilho. O encanto daquela arte diária que vives fica opaco aos seus olhos, fica invisível, (in)essencial . Falar de amor não se sabe mais. ‘Quero o lirismo dos loucos... O lirismo difícil e pungente dos bêbados’, será que me aprisionaram, me travaram? Será que levaram o que eu mais cultivava de dentro de mim? A minha loucura, doce e fluente insanidade que me habitava, que me fazia sentir pelas entrelinhas? Que me fazia transpirar histórias comedidas de amores desmedidos. Não sei.. Ou sei, não quero! Não quero troféus por ‘lirismos comedidos’, não quero receitas práticas de como se montar a última página do próximo Best seller, não quero méritos por dissertações sobre o já desajuntado “novo assunto do momento” na sociedade mundial. Quero libertinagem. Quero exalar mais neo-poesia, mais infinidades de frases dupla-face. Não quero cadeias na minha mente, quero libertá-la pra o que ela ‘sente’, para o que ela teme e fazê-la estremecer.“Não quero saber do lirismo que não é libertação”.

Beatriz Marques

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