De repente eu passei a imaginar se nunca tivéssemos nos encontrado – nessa vida ou em outra qualquer-, nem que nenhuma obra do destino fizesse isso conosco, essas charadas e enigmas que insistem em nos perseguir. Abdiquei de líricas que antes soavam perfeitas porque hoje, se tornaram ‘inescutáveis’ ao simples toque, larguei meus pensamentos úteis pelos triviais sem o mínimo de esforço, e enojo cada novo gesto desse seu novo ser, dessa sua nova feição que não me atrai nem um pouco, nem me cativa como antes. Se nós nunca tivéssemos nos amado eu não teria monstros, espectros ou fantasmas do passado – qualquer coisa do passado – que ainda me atormenta todos os dias, e que eu tenho que me livrar de um jeito simples. Descobri, não existem coisas simples, elas são sempre as mais complexas e as complexas se tornam pequenas perto delas. Cheiros são complexos, palavras e vazios que enchem todos os espaços do meu pensamento explicitando Ben Harper ao fundo “oh baby now lets get down tonight” e os teus olhos por entre os cachos que cobriam minha visão que tentavam penetrar, nesse vazio de pensamento
. Eu queria agora, poder olhar lá pra fora, como um dia desses que se passou tão depressa, sem nenhuma preocupação futura ou nenhuma dor dilacerando meu coração, porque sabe meu amor, essa dor vem dilacerando, resumindo e sintetizando meu sentimento a isso. A essa coisa que eu desejaria nunca que existe. E imagine se nada existisse, nem passado, nem futuro, eu, você, ou encontros ao caso, que criam um caso, e fazem a gente imaginar, se nunca tivéssemos nos encontrado. Seria bem melhor pra mim.
Beatriz Marques
domingo, 28 de setembro de 2008
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